terça-feira, Abril 24, 2012

Abaixo as comemorações enlatadas

Desce a Avenida da Liberdade!

segunda-feira, Fevereiro 13, 2012

sábado, Fevereiro 11, 2012

Professor pedindo aprovação, Anónimo, séc. XXI

Este filme é melhor que um cartoon. É um quadro de época, um ícone sagrado da União Europeia do Tratado de Maastricht. Só tenho pena de que não tenha sido possível ter sido feito no tempo em que outro professor, Cavaco, andava lá fora a lutar por nós com a mesma atitude e para os mesmos efeitos. Certo é que, se o foi, nunca o saberemos.

Como com uma pintura setecentista, olhem para as expressões: nervosa e sorridente do português; grave, diplomática e enfastiada do alemão. Não é difícil imaginarmo-nos naquela sala, escutando mais uma conversa entre dois ministros muito diferentes, em poder, na cultura e nas circunstâncias, num daqueles pormenores que ajudam a definir a forma como a História julgará os povos.




Em aditamento: na iminência da queda da Grécia, parece que a tese infame do "bom aluno" volta agora a fazer escola e logo pela voz de um dos maiores detratores do primeiro-ministro da altura, Paulo Portas. Fora a ironia freudiana, a filosofia de comparações do MNE é de uma baixeza imprópria para o cargo que ocupa e, não fora a sua insignificância, poderia mesmo vir a ser contraproducente.

sexta-feira, Fevereiro 10, 2012

...

domingo, Fevereiro 05, 2012

Os 30 dinheiros do sr. Coelho


É muito simples: se o estado chinês quiser, corta-nos a electricidade. Como não podemos viver sem ela, não foi uma empresa que o governo entregou à gestão de outra, mas sim todos nós.

O que o sr.Coelho acabou de vender ao governo da República Popular da China foi uma infrastrutura essencial e insubstituível, em função e importância equivalente à alienação de recursos naturais e ao direito sobre o território. A venda da REN potencia a submissão a uma soberania estrangeira, se não do território português, pelo menos de um seu uso vital, ofendendo e colocando em perigo a independência do País*.

Não há qualquer argumento político, ideológico, económico, cultural, ecológico, social, estratégico, emocional, científico, que o possa justificar. Só mesmo uma causa pode assistir a tamanha irresponsabilidade: a completa incompetência deste diretório de energúmenos e loucos varridos para governar um estado moderno.

Disse Nuno Melo do CDS, aquando do ridículo episódio "iberista" de Mário Lino: «Tal posição ofende a Constituição da República Portuguesa, (...) tem a ver com a soberania do Estado, que nunca foi posta em causa por nenhum governante dos últimos 100 anos». A outra metade da parelha também exclamou, pela voz de Marques Guedes (PSD): «As afirmações do ministro são completamente despropositadas e acho mesmo que põem em causa as condições do ministro Mário Lino para exercer tão altas funções».

Creio que na situação gravíssima que se nos apresenta, qualquer militante dos partidos no poder - e principalmente aqueles alienados que queriam julgar Sócrates por negligência - terão de concordar que o governo atual deveria, mais tarde ou mais cedo, ser julgado por crime de traição à Pátria. Mas já nem peço tanto. Como sugeria com moderação o antigo líder da bancada parlamentar do PSD, bastava-nos a todos, e a bem da Nação, que o sr. Coelho e comitiva fossem simplesmente para o olho da rua.


*Constituição da República Portuguesa, CAPÍTULO II

Dos crimes de responsabilidade de titular de cargo político em especial, Artigo 7.º

Traição à Pátria
O titular de cargo político que, com flagrante desvio ou abuso das suas funções ou com grave violação dos inerentes deveres, ainda que por meio não violento nem de ameaça de violência, tentar separar da Mãe-Pátria, ou entregar a país estrangeiro, ou submeter a soberania estrangeira, o todo ou uma parte do território português, ofender ou puser em perigo a independência do País será punido com prisão de dez a quinze anos.

segunda-feira, Janeiro 30, 2012

sexta-feira, Janeiro 20, 2012

As «outras»

Há muitos, muitos anos, éramos pouco mais que adolescentes, um amigo extremamente católico dizia-me, com perdão para a sua inexperiência, que uma mulher deveria casar virgem.
Perguntei-lhe se a regra também se aplicava, na sua opinião, aos homens. Que não, claro.
Insisti, "e então, com quem o fazemos? Uns com os outros?". "Oh", disse logo, "para isso, há «outras»".

A mesma lógica - ou moral - parece surgir agora de novo em cabeças não mais progressistas.

Com a economia a retrair, os grandes pensadores da economia pátria, de Catroga a Bessa, insistem na fórmula mágica de carregar o assalariado com ónus da retoma, reduzindo a força laboral à quase escravatura, quer pela redução de salários, quer pela pressão imposta por um quadro legal convidativo ao despedimento. Nada de assustar o desejado "investimento", o qual, como D. Sebastião, um dia há de jorrar, sabe-se lá de onde, se a fé se mantiver no paraíso da iniciativa privada e num futuro de taxas irlandesas.

Mas esta descapitalização forçada da classe assalariada já resulta necessariamente na redução do consumo às necessidades básicas: alimentação, saúde, habitação, transportes (necessidades essas também elas com enorme agravamento fiscal ou de custo).

A pergunta, de novo, surge óbvia: num país onde a maioria da população passa o dia com medo do lay-off e o mês a desejá-lo mais curto, a quem pensam estas bestas que os seus queridos empresários reais ou futuros investidores de sonhos molhados irão vender o fruto fantástico da livre iniciativa e esforço esforçado, suor escorrido do seu rosto dinâmico e criativo?

A resposta cansada seria, de novo, "uns aos outros, não?". Mas, e de novo, nesta troca de favores há um terceiro participante com o qual a inteligência não conta, disposto a salvar o suposto privilegiado da sua incompetência natural. A menina sempre pronta para a festa mas com a qual não é respeitável casar, aquela que renegam em público mas com a qual se deitam em privado e sem a qual, como um vício degradante de pele, não sabem viver, é - ironia banal - o tolhente e odiado Estado.

sábado, Janeiro 14, 2012

quarta-feira, Janeiro 11, 2012

Na La-La-land

Na La-La-land, os maus primeiro-ministros são tão maus, mas tão maus, que criam recessões mundiais

Na La-La-land, os bons primeiro-ministros são tão bons, mas tão bons, que mandam os seus cidadãos emigrar

Na La-La-land, os neo-liberais vendem propriedade do estado a estados comunistas e chamam ao resultado "privatização"

Na La-La-land, (ex-)governantes neo-liberais passam a soldo de uma potência estrangeira enquanto governantes neo-liberais (atuais) garantem que já não são da família (feliz)

Na La-La-land, a putativa ex-futura-primeiro-ministra diz ao vivo e a cores aos septuagenários com necessidade de hemodiálise "que a paguem"

Na La-La-land, o futebol está acima da lei - qualquer lei

Na La-La-land, responsáveis pelo planeamento irracional do metropolitano são nomeados responsáveis pela racionalização dos transportes públicos

Na La-La-land, a capital tem apenas 500 mil eleitores mas os seus passeios estão cobertos com milhões de carros

Na La-La-land, chefes de serviços secretos, responsáveis por investigar tráficos de influências e ameaças ao estado, traficam influências eles próprios em prejuízo do estado. Na La-La-land, só os guardas analfabetos são julgados por traição.

Na La-La-land, o Medina Carreira dá entrevistas

Na La-La-land, há cem anos que os senhorios subsidiam o estilo de vida dos inquilinos

Na La-La-land, prédios com cem anos caem de podre e ninguém percebe porquê

Na La-La-land, merceeiros de produtos importados dão lições de patriotismo a maus primeiros-ministros

Na La-La-land, os bons primeiros-ministros consideram indivíduos destes "investidores" e "compreendem" as suas atitude em relação aos impostos

Na La-La-land, as crises não impedem a atribuição de mais licenças para mega centros comerciais

Na La-La-land, há quem ataque a nova ortografia sem nunca ter sabido usar a antiga

Na La-La-land, os cardeais criticam a “influência direta” da Maçonaria em “coisas políticas” sem se rir

Na La-La-land, uns confundem governos regionais com autocracia, outros ilhas inteiras de gente com autocratas

Na La-La-land, o chefe de estado tenta todos os dias convencer-nos de que é autista mas ninguém se importa muito com isso

Na La-La-land, a licenciatura de um primeiro-ministro é assunto de importância nacional. A menos que esse primeiro-ministro se chame Coelho

sábado, Janeiro 07, 2012

Os utilitários citadinos preferidos dos portugueses



Nove em cada dez yummy-mummies leva os fedelhos à porta do Bom Sucesso*, literalmente, montada num destes paquidermes. É que se estacionam em qualquer lado - literalmente.

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* "fundação obra social", dizem no sítio, com propinas de 3000 euros por ano.

quarta-feira, Dezembro 21, 2011

"The Earth revolves around the Sun."

Já quase todos percebemos que o Rei vai nu. Steve Keen é talvez quem melhor denuncia os modernos "alfaiates" do capitalismo.

sexta-feira, Dezembro 16, 2011

1949-2011 in full

segunda-feira, Dezembro 12, 2011

"It's not a Greek problem."

A crise europeia explicada sem moralismos nem mistificações por Heiner Flassbeck, antigo Secretário de Estado das finanças do Governo alemão entre 1998 e 99.

domingo, Dezembro 04, 2011

Morrer da cura

quinta-feira, Dezembro 01, 2011

A pobre pariu um puto, a rica teve um menino.

A troca de viatura do ministro Mota Soares deu origem a algumas críticas sobre o despesismo do governo numa altura em que é suposto ter "acabado o regabofe". De imediato, alguns bloguers de direita se indignaram com tais críticas. O argumento destes últimos é mais ou menos este: o Dr. Mota Soares é uma pessoa que não podia ligar menos a motores. Estas coisas de carros não o aquecem nem arrefecem. Mais: o Dr. Mota Soares é uma pessoa bem nascida que está habituada ao luxo desde o berço. Se se faz transportar num automóvel que custa ao erário público 86 mil euros não pensem que é por deslumbramento novo rico! Estranha mentalidade a que produz estes argumentos. Como se os actos dos responsáveis políticos não devessem ser julgados em si mesmos mas sim através do crivo do pedigree de quem os pratica. Acho que há uma palavra que define esta forma de ver o mundo: classismo.

Gorduras e tal


O cavalheiro da foto, Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, veio a um programa da televisão do estado defender a redução no serviço de transportes público pois "às vezes sai do ministério e vê autocarros vazios".

Quem assim fala com o MBA na boca com certeza merece melhor: "dr." Sérgio Monteiro para ministro da Saúde já!

No último 1.º de Dezembro

Há muito tempo que qualquer celebração desta data foi sendo empurrada com pejo e alívio para a coutada de monárquicos de bigode revirado ou de racistas confusos.
Fora deste contexto, nenhuma ou menos que nenhuma referência é feita na imprensa ao aniversário do início da redenção nacional. 'Início' porque a guerra para a recuperação da nossa soberania política e económica duraria ainda mais 28 anos - até dizem que, não houvera uma revolta no nordeste ibérico, era capaz de durar ainda mais tempo.

Na Baixa, as ruas quase vazias de gente, o comércio ainda mais a meio-gás. Os poucos restaurantes que vão fazendo negócio vendem paelha congelada a turistas à procura do sol que também não produzimos.
Passo pelo bazar chamado "El Corte Ingles": está à pinha com quem não dá tréguas ao cartão de crédito nem descanso aos importadores.

A dívida total ao exterior atinge 250% do PIB, dos quais 77 mil milhões são detidos pela banca espanhola.

Não é preciso pensar muito para nos apercebermos que o fim deste feriado histórico não poderia ser mais pertinente.
Só é pena que um dia a mais de trabalho não venha resolver absolutamente nada.

terça-feira, Novembro 22, 2011

Ler os sinais

Há que saber ler os sinais, Magestade. Se calhar quando começamos a esbarrar com as portas é porque está na altura de dar lugar aos mais novos.

Aqui

domingo, Novembro 20, 2011

O homem que ganhou as eleições aqui ao lado.

"lo he escrito aqui y no entiendo mi letra."

"Hmmmmm..."

...digo eu enquanto esfrego a ponta do nariz com o dedo indicador.

segunda-feira, Novembro 14, 2011

Jornalismo para o séc. XXI

Revolucionando o conceito de "caixa".

domingo, Novembro 06, 2011

sábado, Novembro 05, 2011

Europa

Para mim (desculpem-me o intimismo) o mais doloroso de isto tudo é ver o repositório de democracia e maturidade social em que a Europa conseguiu tornar-se no pós-guerra - um património político para a Humanidade -, desmoronar sob a avidez dos agiotas e dos passos perdidos de governantas de sacristia.



Filipe IV de França, dito O Belo: mandou à real fava as dívidas para com a grã-cruz da Ordem do Templo, extinguindo com bastante eficácia o primeiro sistema bancário transnacional do mundo.

terça-feira, Novembro 01, 2011

Democracia? Então mas os gregos estão loucos??

Acabo de ver Manuel Villaverde Cabral (Grã-Cruz da Ordem da Liberdade) a defender na TVI que George Papandreou deve ser afastado das funções de primeiro ministro. Como não entrou em detalhes ficamos sem saber se MVC defende que seja a senhora Merkel a ir tirá-lo da cadeira ou se prefere a opção do golpe militar.

Separados à nascença 583752



Duas prateleiras, duas manteigas, dois preços, uma crise.

Agora sim, já vi de tudo

Eu julgava que os governos serviam para resolver os problemas dos governados. Mas para o executivo do sr.Coelho, não é assim; o problema somos nós e esta mania de estarmos desempregados. Enfim, só chatices. A solução óbvia, mandar-nos embora:

Os jovens portugueses desempregados devem emigrar, em vez de ficarem na sua «zona de conforto», disse no sábado o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Alexandre Miguel Mestre.

Estes eflúvios de pessoal menor revelam ainda outra coisa: dada a completa ignorância do histórico dos 'jovens' portugueses desempregados, que já andam a emigrar há umas décadas, quem nunca fez tenção de sair da sua zona de conforto mental foi o imbecil que tão confortáveis conselhos dispensa aos outros.

domingo, Outubro 30, 2011

quarta-feira, Outubro 05, 2011

domingo, Outubro 02, 2011

sábado, Outubro 01, 2011

quinta-feira, Setembro 08, 2011

Forever



Marta, como estamos passado um ano?

domingo, Agosto 21, 2011

segunda-feira, Agosto 15, 2011

Depois não se admirem





A presidente da Assembleia da República não conseguiu parar a tempo o carro, onde seguia sozinha, e embateu numa viatura, que tinha travado para uma idosa atravessar a passadeira. Este veículo acabou por embater num outro, que estava à frente, e este atingiu a mulher, que ficou ferida com gravidade e foi transportada para o Hospital de Faro. Assunção Esteves bem como as restantes pessoas envolvidas no acidente não sofreram quaisquer ferimentos.

Não se podem apurar responsabilidades pela leitura de uma notícia. Também não faz sentido considerar que um mau volante indica falta de capacidade para a condução dos trabalhos no parlamento. Mas, nesta paz podre que vivemos há tanto tempo, ninguém confia que a segunda figura do estado venha a sofrer qualquer consequência por este "azar" de trânsito.

Existem outras democracias onde a senhora se sentiria forçada a demitir-se imediatamente numa situação semelhante. Porque ali nada é mais importante que os representantes mostrarem que agem de acordo com as regras que impõem aos seus representados. Mesmo que isso implique algum exagero ou injustiça pessoal.

Dirão que há muito pior. Pois há. E que a senhora está acima de muitos dos seus pares. Estará, com certeza. Seriam completamente cretinas e ofensivas quaisquer comparações com Alberto Jardim ou Isaltino Morais (a lista seria interminável, que me perdoem os ausentes). Mas, lá está, precisamente por tudo isso. Porque é melhor que eles, porque era preciso mostrar que a "festa" acabou.

Sabemos que governo é jovem e o sentimento geral é que o país precisa mais de dinheiro e emprego e menos de virtudes - um luxo por enquanto inacessível. São estes os pesos e as medidas com que definimos a nossa sociedade. Depois não se admirem.

Ao alto: autocarro no bairro de Tottenham, 6 VIII 2011
Centro: sede do governo norueguês, 22 VII 2011
Em baixo: Kanellos, o cão das manifestações atenienses, 5 V 2011

terça-feira, Agosto 02, 2011

Agosto

quarta-feira, Julho 20, 2011

To pretend

segunda-feira, Julho 11, 2011

The lost art of being stoic

1. Quit your whining.
2. Quit your crying.
3. Suck it up.

If in doubt, ask yourself: What would Clint do?



(Esquire)

terça-feira, Julho 05, 2011

Duh

domingo, Julho 03, 2011

Há um momento. Nada mais se leva daqui.

Eu até os compreendo

Certos habitantes das cidades portuguesas não querem pagar muito de impostos para, por exemplo, poder comprar SUVs, que são caros. E têm razão em escolher este tipo de veículo. Um SUV é espaçoso para miúdos e compras, e combina o conforto indispensável para suportar as horas de ponta com a resistência aos buracos das ruas ou estradas degradadas, e a capacidade de galgar passeios para estacionar em qualquer lugar que se queira.
Qualquer pode sentir-se com legitimidade para exigir que a sua qualidade de vida não seja diminuida pelas dificuldades no quotidiano de um país pobre e tem todo o direito de encontrar a solução que lhe é mais conveniente. É isto, não é?

segunda-feira, Junho 27, 2011

A doutorice não é fado nosso

Eduardo Pitta por causa de Álvaro, o ministro:

Portugal é o único país da Europa, sendo as excepções do vasto mundo o Brasil e Angola, em que toda a gente é tratada por doutor.

Discordo. Em Itália, estatuto social dá direito a doutoramento. De brinde, ainda listam comendas e outros cavaliere, medalhões felizmente menos populares aqui na pátria.

Conheço melhor os germânicos, hierarquizados, onde o uso de títulos académicos está hermeticamente regulamentado mas a obsessão por eles é paixão para escapar a qualquer recalcamento. A ajudar na caricatura, as bizarrias "Doktor Doktor", o qual não é eco mas sim acumulação; e o famoso "Frau Doktor", que se refere a uma senhora quando esta é sua esposa.
Também aqui em tempos fiz menção de um cartão de visita onde se podia ler «Magister Dipl.-Architekt» (em português, Mestre, Diplomada em Arquitetura). Era seguido do nome da empregada de loja que me vendeu a máquina de lavar roupa.

Embora muitas vezes constrangedor, omitir os prefixos continua a ser impensável na, por exemplo, Viena do séc. XXI. Nomes de batismo, só mesmo ao fim do dia e entre proseccos no Engländer.

segunda-feira, Junho 20, 2011

Da educação superior

What usually happens in the educational process is that the faculties are dulled, overloaded, stuffed and paralyzed so that by the time most people are mature they have lost their innate capabilities.

Buckminster Fuller

sábado, Junho 18, 2011

Cosmopolitanismo de sacristia

Ontem, nas tvs, António Costa respondeu aos críticos da okupação da Avenida da Liberdade pela Sonae dizendo que parolos somos nós, dado que a ideia de um piquenicão com cantores chamados "tony" veio de Paris, onde até se tinha escolhido os Champs Élysées para o efeito.

Serei o único a contorcer-se com a ironia?

terça-feira, Junho 07, 2011

Soberania

Há muita gente (a grande maioria das pessoas) que pensa que os bancos centrais são instrumentos dos governos. Dentro da doutrina da separação de poderes que é garante da Democracia, em que lugar encontramos os poderes perante os quais responde, desde há mais de 10 anos, o sr. Vitor Constâncio?

A insustentável leveza

Quando Pedro Passos Coelho diz que não quer ser um peso para os "nossos parceiros europeus", será que é esta a estratégia que tem em mente?
Talvez seja bem pensado. Quando Portugal deixar de existir não será um peso para ninguém.

Regresso ao passado, parte 2: Luís Amado

O objetivo da Comunidade Económica Europeia foi a criação de um espaço económico e social homogéneo, condição achada necessária para a segurança e paz internas e premissa para a independência e desenvolvimento sustentado do bloco. E, por que não, para vivermos todos melhor.

A nossa adesão à comunidade, depois de meio século de corporativismo e dependência colonial, e um decénio de indefinição revolucionária (o que se poderia considerar o nosso «choque socialista»), requeria algum amortecimento aos efeitos da súbita exposição ao mercado comum, composto de economias mais desenvolvidas. Tinham-se pois criado vários mecanismos de adaptação - programas de construção de infra-estruturas e modernização da indústria, fundos participados para o desenvolvimento de competências, apoios ao comércio e subsídios vários de reconversão da agricultura, pescas, turismo, etc.

Infelizmente, a utilização do que deveria ter constituido uma ajuda e uma preparação para o futuro foi completamente subvertida pela máfia local, e com a cumplicidade indiferente da máfia comunitária. O que se passou a seguir é do conhecimento público: por um lado, as potências agrícolas (e piscatórias) europeias, se tanto, estavam mais interessadas em explorar recursos comuns que vir um dia a competir em igualdade com o setor primário nacional (ainda que essa competição se limitasse ao bolo de subsídios); por outro, a burgessia do empresariado português, à boa maneira salazarista, olhou concupiscente para as ajudas comunitárias como uma nova e choruda oportunidade de subvencionar sem esforço o seu próprio enriquecimento.

Sob o consulado e benção de Cavaco, e apesar do relatório Porter encomendado por Mira Amaral, a estratégia da indústria portuguesa baseou-se na redução de custos existentes, encaixe de subsídios e absorção de despesa para as obras públicas de infra-estrutura. A mão-de-obra, apesar dos famosos cursos do Fundo Social Europeu, não deixou de ser barata - e agora até podia ainda ser mais, pela comparticipação associada; a inovação, quando aconteceu, foi limitada ao que poderia baixar custos (informatização, automatação), sendo que a transformação de baixo valor acrescentado continuou a representar o grosso da produção nacional (téxteis, sapatos, cortiça). Os colossos da construção civil, intimamente ligados ao poder, também tiveram aqui a sua génese ou agigantamento, quer por força das auto-estradas e aeroportos determinados por Bruxelas, quer pelas obras de regime (no que foi imitado em menor escala mas com igual entusiasmo pelas autarquias), quer ainda pela espiral descontrolada do crédito à habitação. Estavam criadas as condições para a estagnação futura da economia, assim que a generosidade comunitária acabasse e a união monetária entrasse em vigor.

Dentro dos limites da racionalidade, o «choque liberal» de que fala agora o ex-ministro socialista teria de ter acontecido após a entrada para a C.E.E.. Não foi assim porque nunca as forças vivas da terra tiveram quaisquer anseios liberais, preferindo seguir a tradição nacional de viver à sombra protetora do Estado, na altura já com a vantagem de, em democracia e numa Europa sem fronteiras, não lhe dever nem obediência nem retribuição. O "liberalismo" destes de agora - e muitos serão os mesmos - não será diferente, com a agravante que o nosso Estado está menos autónomo, mais enfraquecido, mais pobre e com menos recursos a pilhar. Não é, por isso, um «choque liberal» aquilo que se anuncia mas sim uma liquidação total.

segunda-feira, Junho 06, 2011

Oh yeah

A minha aldeia é o mundo

Acabei de ler no facebook um comentário de alguém ao seu e meu amigo emigrado:

"Estás a gozar? Agora já podes voltar! Agora aquilo que outros fizeram talvez se resolva :D"

Estados Unidos, Islândia, Irlanda, Grécia, Espanha, Itália, Reino Unido, Bélgica, ... Tudo países que o PS e Sócrates, ominipresente e omnipotente, levaram ao vermelho.

Quaisquer resultados de eleições são aceites com desportivismo. Mas o umbiguismo saloio, esse sim, deixa-me muito desanimado. O mundo tornou-se uma grande aldeia mas há portugueses que continuam a acreditar que a sua própria aldeia é que é o mundo.

sábado, Junho 04, 2011

Não sei se estão a ver o que isto significa

A Mitsubishi escolheu Portugal para fazer o lançamento europeu da versão comercial do i-MIEV. A marca japonesa procura assim atrair as empresas para a mobilidade eléctrica ao disponibilizar um veículo com 860 litros de capacidade de carga. O preço? 29 mil euros mais IVA.

A experiência ensina-nos que o preço dos produtos para o consumidor final não diminui quando os custos de distribuição descem. Mas, pelo menos, deixa de haver desculpa social para não aumentar brutalmente o preço dos combustíveis e desencorajar o uso do automóvel particular em percursos urbanos.

Lost in translation

Apontando para a televisão, durante uma reportagem sobre a campanha eleitoral:
-Quem é este?
-É o líder do CDS.
-Extrema-esquerda?
-Não! Hum... Democrata-cristãos, dizem-se. Tradicionalistas, parecido com os Conservadores, mas mais à direita.
-Mas então, porque estão sempre a chamar-lhe "Pol Pot"?

sexta-feira, Junho 03, 2011

Regresso ao passado

O sr. Passos Coelho tem dado muitos tiros no pé (talvez por isso, este nom-de-plume me soe a personagem de emérito deputado numa novela romântica de fim de século). Nenhum me mereceu comentário, não traz grande glória bater na inexperiência dos outros. Mas esta coisa de invocar a governação de Cavaco, como se de uma idade de ouro se tratasse, tem direito a destaque.

De que cavaquismo fala Passos Coelho? Aquele do qual não me esqueço só poderá ter deixado saudades ao próprio Cavaco e aos que das suas benesses se serviram, incluindo, julgo, este da vã glória de mandar numa juventude partidária.
Foi uma idade de ouro, com certeza, para o PSD porque ganhava, folgado, maiorias absolutas. E foi-o também para o bonapartismo paroquiano do doutor de York.

Nós ficámos com a economia do betão e da promiscuidade entre políticos e empresas - os boys originais -, com as fraudes dos fundos comunitários e concessões de obra, com o "capitalismo popular", com as hipotecas bonificadas pelos contribuintes, com as reprivatizações de encomenda. Com a refundação do clientelismo, o desmantelamento da frotas de pesca e marinha mercante, e o enterro da agricultura por meia dúzia de jipes, campos de golf e caçadas ao javali. Com o estímulo à assimetria litoral, o descarrilamento da ferrovia e a promoção da auto-estrada e do crédito ao consumo. Foram dias de coutos de loureiro e de todos os outros santos, de escândalos de corrupção semana a semana, de meias de turco branco, de derrapagens trilionárias de orçamento e respetivos contorcionismos no tribunal de contas, da invasão de gelados da menorquina e de fruta sensaborona, do estrangulamento da imprensa, do poço que passou a fonte, das marquises espelhadas, dos negócios das OGMA e da OGMA, do fim do ensino superior técnico e começo das licenciaturas inúteis, das universidades de vão de escada - formando gestores e advogados para o desemprego-, das requisições civis em dia de greve, das cargas e mangueiradas policiais, da tecnocracia arrogante, sem ideias nem ciência, dos G-men cinzentões, do moralismo pacóvio, da "televisão da Igreja", de Lynce, Borrego, Isaltino, Cadilhe, Duarte Lima, Costa Freire, Silva Peneda, Braga de Macedo...

Não poderemos nunca saber se, sem o cavaquismo, Portugal teria crescido melhor; naturalmente, tal dependeria de quem estivesse no lugar do então primeiro-ministro. Mas tenho a certeza que abundaram os cortesãos e feitores que cresceram à sua e à nossa conta e que Cavaco não corrigiu muitos dos problemas estruturais de que padecíamos e ainda agora padecemos, apesar - ou por causa - dos muitos milhões de subsídios comunitários com que foi pago para o fazer. Sabemos sim, em absoluto, que a "idade de ouro" de Cavaco foi uma oportunidade perdida.

Finalmente, também estou convencido de que, não fora o cavaquismo, e dado o seu currículo e competências pessoais, o atual líder "social-democrata" teria hoje tarefas mais prementes com que ocupar o seu tempo, em lugar de circular pelo país atirando inanidades destas numa campanha eleitoral. Como, por exemplo, contribuir para o nosso progresso dando aulas não sei de quê num liceu de província qualquer, sob a honestíssima graça de "Pedro Coelho".

terça-feira, Maio 31, 2011

domingo, Maio 29, 2011

Perspetiva de uma jovem tory sobre o património imobiliário português

passando por uma quinta de séculos na serra de Sintra

-Mas, porque deixam cair estas casas?
-Razões variadas... Às vezes, as famílias faliram; ou saíram daqui há tanto tempo que as quintas ficaram esquecidas; doutras, resultou numa herança onde ninguém se entende. As convulsões políticas particulares a Portugal também ajudam bastante nestas coisas. Alguns donos até serão ingleses.
-Ora, em Inglaterra, é hobby preferido de muitos restaurar casas destas.
-Isso aqui dá muiiito trabalho...
-Hehehe... Então, porque não as vendem?
-À falta de razões mais idiotas, a verdade é que não há mercado para isto; fica muito caro, quer comprar, quer recuperar decentemente - como disse, obriga a maçadas várias como contratar especialistas de património, licenças, etc. Também, as pessoas sentem-se isoladas aqui na serra. Em suma: hoje em dia, quem tem dinheiro suficiente, prefere construir de novo e noutro sítio.
-Onde?
-De preferência, em paisagem protegida. Por exemplo, mais abaixo, junto à costa.

algum tempo depois, passamos pela Quinta da Marinha

-Perguntavas "onde"; vualá, eis um desses sítios.
-Não é para turismo?
-Não, é uma espécie de "condomínio fechado" muito caro.
-É «dinheiro novo»?
-Erm... Em comparação, sim.
-Bom... "Em comparação", parece preferirem viver numa enorme habitação social.

Privilégios de grego (ou, "porque não há pacote que os salve"), 1

As taxas moderadoras do serviço nacional de saúde são altas, chegando aos EUR 500.00 por consulta, pagas diretamente ao médico.

terça-feira, Maio 24, 2011

Portugal é uma aldeia

José Pinto Coelho é primo de Sofia Pinto Coelho, filha de Maria Filomena Mónica e enteada de António Barreto, ex-mulher de José Alberto Carvalho e atual de Ricardo Sá Fernandes.

quarta-feira, Maio 18, 2011

terça-feira, Maio 17, 2011

Matana Roberts

terça-feira, Maio 10, 2011

Desígnio nacional: a periferia

Com a privatização da CP e REFER (que, na prática já só existem para Lisboa e Porto), com a entrega tácita da TAP ao colosso BA-Iberia e com o "adiamento" do novo aeroporto para as calendas gregas, a insistência na construção do trajeto TGV em direção a Barajas só espanta os mais incautos - como o sr. Portas.
A centralização logística da Península Ibérica está completa. Depois queixem-se que somos periféricos.

Plano de rede de alta velocidade espanhol. Apesar de ali figurar a ferrovia Lisboa-Porto, agora abandonada, é evidente pelo mapa que nunca houve intenção de a ligar ao exterior da península. Ou passas por Madrid ou não passas.

Em pormenor nota-se a inflexão forçada para colocar Sines no azimute de Badajoz.

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Mapas retirados da Revista Militar